De Onde Vem a Nota de Corte 60 do ENAMED? Angoff Modificado e TS TRI
O corte de 60,0 do ENAMED não foi escolhido no chute: nasceu do Angoff Modificado com 18 especialistas e da transposição para a escala TRI pelo estimador TS TRI. E o INEP determinou que ele não muda.
De Onde Vem a Nota de Corte 60 do ENAMED? Angoff Modificado e TS TRI
A nota de corte 60,0 do ENAMED foi definida pelo método Angoff Modificado, descrito na Nota Técnica INEP nº 19/2025: 18 professores de medicina estimaram, item a item, quantos de um grupo hipotético de 100 "médicos minimamente proficientes" acertariam cada questão. A média desses julgamentos, 57,87% sobre 90 itens válidos, foi transposta para a escala da Teoria de Resposta ao Item pelo estimador TS TRI, resultando em um nível de proficiência θ = -0,40. Aplicando a fórmula oficial NF = θ × 17,544 + 67,018, chega-se exatamente a 60,0. Esse número não é arredondamento nem convenção: é o resultado de um processo psicométrico documentado, auditável e, pela própria Nota Técnica, fixo para todas as edições futuras do exame.
O que é o método Angoff Modificado?
O método Angoff Modificado é uma técnica de standard setting, ou seja, de definição de padrões de aprovação, centrada no CONTEÚDO do teste e não em normas populacionais (Fonte: NT INEP 19/2025). Isso significa que o corte não nasce da comparação entre candidatos de uma mesma edição, como ocorre em processos seletivos com vagas limitadas, mas de uma pergunta objetiva feita a especialistas sobre a dificuldade real de cada item da prova.
A pergunta literal aplicada a cada avaliador, para cada uma das 100 questões do ENAMED 2025, foi: "Dado um conjunto de 100 médicos que acabaram de entrar nesse nível, quantos deles responderão este item corretamente?". O referente conceitual é o "médico minimamente proficiente", também chamado de examinando limítrofe: aquele que está exatamente na fronteira entre ter e não ter a proficiência mínima esperada de um egresso de Medicina. Não se pergunta se o especialista acha o item fácil ou difícil em abstrato, e sim qual seria o desempenho esperado desse perfil-limite específico.
A escolha do Angoff Modificado, entre outras técnicas de standard setting disponíveis na literatura psicométrica (Angoff, 1984; Kathryn, 2006), tem uma justificativa declarada pelo próprio INEP: simplicidade estatística e facilidade de explicação e auditoria. Diferentemente de métodos que exigem modelagens mais complexas de julgamento, o Angoff Modificado produz um número direto e replicável por item, o que permite reconstruir todo o processo posteriormente, exatamente como este artigo está fazendo a partir da Nota Técnica publicada.
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Quem definiu a nota de corte do ENAMED e como?
A nota de corte foi definida por um painel de especialistas em um processo estruturado em etapas sucessivas, conduzido pela Comissão Assessora de Avaliação da Formação Médica (CAAFM) e pela Comissão de Análise de Itens (CAI), entre maio e agosto de 2025 (Fonte: NT INEP 19/2025). O processo começou com a seleção dos itens da prova e terminou com a consolidação estatística dos julgamentos de 18 avaliadores.
Em maio e julho de 2025, a CAAFM selecionou os itens que comporiam o exercício de standard setting, utilizando o Ambiente Físico Integrado Seguro (AFIS) do INEP e extraindo as questões do Banco Nacional de Itens da Educação Superior (BNI-ES). Nos dias 7 e 8 de agosto de 2025, a CAI se reuniu com inicialmente 20 professores de medicina, que avaliaram individualmente cada um dos 100 itens da prova, respondendo à pergunta Angoff descrita na seção anterior. Os julgamentos foram consolidados pela Angoff Analysis Tool (AAT), ferramenta que organiza as estimativas item a item em uma matriz avaliador por questão.
Para garantir que os julgamentos fossem consistentes entre si, o INEP calculou a confiabilidade entre avaliadores (Inter-Rater Reliability, IRR), usando o coeficiente de Shrout & Fleiss (1979). O resultado foi 0,894, classificado na faixa "boa" da escala de referência, que vai de abaixo de 0,50 (baixa) até acima de 0,90 (excelente). Dois avaliadores, no entanto, ficaram a mais de um desvio padrão da média do grupo, um com 68,9% e outro com 83,6% de estimativa média de acerto, e foram removidos da base de cálculo por esse critério estatístico, restando 18 avaliadores cujos julgamentos formaram a base final do corte.
Tabela 1. Cronologia do processo de definição da nota de corte (NT INEP 19/2025)
| Etapa | Período/Data | Responsável | Resultado |
|---|---|---|---|
| Seleção de itens no BNI-ES via AFIS | Maio e julho de 2025 | CAAFM | Itens do exame selecionados para o exercício Angoff |
| Reunião de julgamento Angoff | 7 e 8 de agosto de 2025 | CAI, inicialmente 20 professores | Estimativas item a item consolidadas pela AAT |
| Cálculo de confiabilidade (IRR) | Agosto de 2025 | INEP | IRR = 0,894 (faixa "boa") |
| Remoção de outliers | Agosto de 2025 | INEP | 2 avaliadores removidos (68,9% e 83,6%), 18 restantes |
| Consolidação do escore Angoff | Agosto de 2025 | INEP | Corte inicial de 58,75% em 100 itens |
Por que 10 questões saíram do cálculo?
Dez das 100 questões originais do ENAMED foram excluídas do cálculo do corte por três motivos distintos: seis foram anuladas por recursos administrativos, uma foi anulada por erro material, e três foram excluídas por apresentarem correlação bisserial abaixo do valor psicometricamente adequado (Fonte: NT INEP 19/2025). Com essa exclusão, a base de cálculo passou de 100 para 90 itens.
A correlação bisserial é um indicador estatístico que mede se um item discrimina corretamente entre candidatos de maior e menor proficiência, ou seja, se quem acerta a questão tende a ser, de fato, quem tem melhor desempenho geral na prova. Quando essa correlação fica abaixo do patamar considerado adequado, o item é tratado como psicometricamente problemático e não deve compor o cálculo do padrão de corte, independentemente de ter sido anulado por recurso ou não.
Essa depuração teve um efeito direto sobre o número final. O corte Angoff inicial, calculado sobre os 100 itens originais, era de 58,75% de acerto esperado para o médico minimamente proficiente. Após a exclusão dos 10 itens problemáticos, a normalização sobre os 90 itens remanescentes resultou em 57,87%, com desvio padrão de 3,68 pontos percentuais entre os julgamentos dos 18 avaliadores. É esse número, 57,87%, que serviu de insumo para a etapa seguinte: a transposição para a escala TRI.
Como 57,87% de acerto virou nota 60?
O número 57,87% e a nota 60,0 não estão na mesma escala, e é justamente essa diferença de escalas que explica por que o corte do ENAMED não pode ser lido como "60% de questões certas" (Fonte: NT INEP 19/2025). O primeiro é um percentual de acerto esperado, calculado sobre 90 itens específicos daquela edição. O segundo é uma Nota Final numa escala padronizada, construída a partir do nível de proficiência θ e válida para qualquer edição do exame, com qualquer combinação de itens.
A ponte entre as duas escalas é o estimador TS TRI (True Score TRI), descrito por Wyse (2017) e adotado pelo INEP para essa transposição. O procedimento parte da Curva Característica do Teste, uma função τ(θ) que soma as probabilidades de acerto de todos os itens da prova para um dado nível de proficiência θ. Em outras palavras, para cada valor possível de θ, é possível calcular quantos acertos, em média, um candidato com aquele nível de proficiência produziria no conjunto de itens.
O procedimento então busca o valor de θ cuja soma de probabilidades de acerto, na Curva Característica do Teste, iguala o escore Angoff de 57,87%. Essa busca foi implementada em linguagem R, com θ variando de -4 a +4 em uma escala N(0,1) e passo de 0,01, testando sucessivos valores até encontrar aquele que reproduz o escore dos especialistas. Diferentes métodos numéricos, como bissecção, Newton-Raphson e interpolação, foram comparados para validar o resultado, e divergiram apenas na primeira casa decimal, o que confirma a robustez do cálculo. O valor encontrado foi θ* = -0,40.
Com θ* = -0,40 em mãos, aplica-se a transformação linear que converte a escala de proficiência na escala de Nota Final do ENAMED, a mesma fórmula usada para qualquer candidato do exame:
NF = θ × 17,544 + 67,018
NF = (-0,40 × 17,544) + 67,018
NF = -7,0176 + 67,018
NF = 60,0
O resultado é exato: 60,0. Esse é o motivo pelo qual nenhum candidato consegue traduzir "quantas questões preciso acertar para passar" em um número fixo de itens corretos. A nota depende de QUAIS itens foram acertados e de quão difíceis eles eram, não apenas de QUANTOS. Esse mecanismo, específico do modelo Rasch usado pelo ENAMED, já foi detalhado em profundidade em outro artigo deste blog.
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Tabela 2. Do julgamento Angoff à Nota Final: a conversão passo a passo
| Etapa | Valor | Escala |
|---|---|---|
| Corte Angoff inicial (100 itens) | 58,75% | Percentual de acerto esperado |
| Corte Angoff normalizado (90 itens válidos) | 57,87% (DP = 3,68 p.p.) | Percentual de acerto esperado |
| Transposição via estimador TS TRI | θ* = -0,40 | Escala de proficiência N(0,1) |
| Transformação linear (NF = θ × 17,544 + 67,018) | 60,0 | Nota Final (escala INEP) |
A nota de corte do ENAMED muda a cada edição?
Não. O parágrafo 9.1 da Nota Técnica INEP 19/2025 determina expressamente que o ponto de corte de 60,0 "deve ser mantido ao longo das demais edições do exame" (Fonte: NT INEP 19/2025, § 9.1). Isso significa que o corte é um critério absoluto, e não relativo: não existe curva, não existe percentil, e o desempenho dos demais candidatos de uma edição não interfere na classificação individual de ninguém.
Essa é a diferença conceitual mais importante entre o ENAMED e um vestibular tradicional. Em um vestibular, a aprovação depende da posição relativa do candidato dentro de um número fixo de vagas: mesmo uma prova fácil pode reprovar quem tira nota alta, se muitos tirarem nota mais alta ainda. No ENAMED, o padrão de proficiência foi fixado uma única vez, com base no julgamento de especialistas sobre o conteúdo mínimo esperado, e permanece parado enquanto o conteúdo da prova muda a cada edição. Teoricamente, toda uma turma de uma edição pode ser proficiente, e toda uma turma de outra edição pode não ser, sem que isso represente qualquer inconsistência no critério.
Mas manter um padrão fixo enquanto os itens da prova mudam a cada semestre é um desafio técnico considerável, porque cada edição usa um conjunto diferente de 100 questões, com dificuldades diferentes. É exatamente aqui que entra a combinação entre TRI e Angoff descrita na Nota Técnica INEP 40/2025: o § 4.1 e o § 4.5 atribuem a essa combinação o papel de instituir comparabilidade entre edições, permitindo equalizar diferentes conjuntos de itens por meio de painéis de especialistas que integram julgamento pedagógico à modelagem psicométrica. O § 4.3 da mesma norma reforça a vantagem da TRI sobre a Teoria Clássica dos Testes: a invariância dos parâmetros dos itens em relação à população avaliada, e a estimação em uma escala padronizada, passível de interpretação pedagógica consistente edição após edição.
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O que significa ser "Proficiente" no ENAMED?
Ser classificado como Proficiente no ENAMED significa atingir Nota Final igual ou superior a 60,0, o que corresponde, segundo o descritor pedagógico da Nota Técnica INEP 19/2025 (§ 8.4), a um perfil de egresso capaz de integrar conhecimentos clínicos, evidências científicas e políticas de saúde para orientar decisões e condutas médicas. Esse egresso atua na prevenção, promoção e reabilitação da saúde com foco na atenção primária e na clínica centrada na pessoa, demonstra compromisso ético com a singularidade e a dignidade humana, comunica-se adequadamente, participa de forma colaborativa do trabalho em equipe interprofissional e mantém uma postura de formação continuada.
É importante não confundir dois níveis de classificação distintos que usam a mesma proficiência como insumo, mas que respondem a perguntas diferentes. A classificação INDIVIDUAL de cada candidato no ENAMED tem apenas dois níveis possíveis: Proficiente, para Nota Final igual ou superior a 60,0, e Não Proficiente, para Nota Final abaixo desse valor. Não existe meio-termo, e não existe gradação dentro dessas duas categorias na avaliação do candidato.
Já os cinco níveis de Conceito, de 1 a 5, não classificam o candidato individual: classificam o CURSO, a partir do percentual de concluintes proficientes daquele curso específico, conforme a fórmula do § 7.2 da Nota Técnica INEP 40/2025. Um mesmo egresso Proficiente pode ter se formado em um curso que recebeu Conceito 2, e um egresso Não Proficiente pode ter colegas de turma em um curso Conceito 5. São medidas complementares, mas não intercambiáveis, e essa distinção é frequentemente a maior fonte de confusão entre estudantes e gestores de curso.
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Por que o modelo é Rasch e não o de 3 parâmetros do ENEM?
O ENAMED usa o modelo de Rasch, também chamado de modelo logístico de um parâmetro (1PL), conforme a Nota Técnica INEP 42/2025, e não o modelo de três parâmetros (ML3) usado pelo ENEM. Essa distinção não é um detalhe técnico secundário: ela determina como cada questão contribui para a nota final e por que a comparação direta com o ENEM é enganosa.
No modelo Rasch, o único parâmetro que caracteriza cada item é sua dificuldade (b), definida como o nível de proficiência no qual a probabilidade de acerto daquele item é exatamente 50%. Não existem, no ENAMED, parâmetro de discriminação (que pesaria o quanto um item diferencia bons e maus candidatos) nem parâmetro de acerto casual ou pseudoguessing (que absorveria estatisticamente o efeito do chute em provas de múltipla escolha). No modelo Rasch, por construção, esse terceiro parâmetro é considerado igual a zero: o chute não é tratado como propriedade do item, mas como comportamento eventual do respondente, identificável por indicadores de ajuste como o outfit, aplicados após a estimativa de proficiência.
A justificativa declarada para essa escolha metodológica é a comparabilidade entre edições com conteúdo heterogêneo: como o ENAMED precisa manter o mesmo corte de proficiência ao longo de provas com itens diferentes a cada aplicação, um modelo mais simples e com parâmetros mais estáveis facilita a equalização entre edições. O ENEM, por sua vez, é um exame com outro objetivo, outra arquitetura de itens e outro modelo psicométrico, o ML3, que introduz os parâmetros de discriminação e de acerto casual ausentes no ENAMED. Comparar diretamente os dois exames pelo número de acertos ou pela lógica de escala é, portanto, tecnicamente incorreto: são instrumentos com fundamentos estatísticos distintos.
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O que isso muda para quem vai fazer a prova em 13/09/2026?
Para quem vai fazer o ENAMED em 13/09/2026 (Edital INEP nº 71/2026), a implicação prática mais honesta é que não existe uma "nota de corte em número de acertos" para se planejar. O que existe é um padrão de proficiência fixo na escala TRI, e o caminho para alcançá-lo passa pelo domínio da Matriz de Referência Comum (Portaria INEP 478/2025) como um todo, não pela memorização de quantas questões seriam necessárias acertar.
Essa característica torna qualquer estratégia de preparação baseada em "meta de acertos" estruturalmente frágil, porque a mesma quantidade de acertos pode gerar notas finais diferentes dependendo de quais itens foram respondidos corretamente e qual a dificuldade estimada de cada um deles. A consequência para a preparação é que ela precisa ser guiada por proficiência real nas 15 competências e 21 domínios da matriz, e não por simulação de percentuais de acerto brutos, que podem enganar tanto para mais quanto para menos.
É exatamente nesse ponto que uma infraestrutura de diagnóstico construída sobre o mesmo modelo psicométrico do INEP faz diferença. O SPR Med aplica o motor M.A.E.S.T.R.O sobre um banco de 266.177 questões tagueadas na Matriz Pedagógica 7D, calibradas por TRI/Rasch de um parâmetro, o mesmo modelo estatístico usado pelo INEP no ENAMED. Isso permite estimar a Nota Final na escala oficial, a Classificação de Proficiência e o Nível de Confiança de cada estudante por Grande Área, Especialidade, Tema e Subtema, em vez de reduzir o acompanhamento a um contador de acertos que não reflete a métrica que realmente decide a nota.
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Tabela-resumo dos números do corte
Tabela 3. Todos os números da nota de corte do ENAMED em um só lugar
| Item | Valor | Fonte |
|---|---|---|
| Método de definição do corte | Angoff Modificado | NT INEP 19/2025 |
| Número de avaliadores no julgamento inicial | 20 professores de medicina | NT INEP 19/2025 |
| Número de avaliadores após remoção de outliers | 18 | NT INEP 19/2025 |
| Confiabilidade entre avaliadores (IRR) | 0,894 (faixa "boa") | NT INEP 19/2025 |
| Itens originais da prova | 100 | NT INEP 19/2025 |
| Itens excluídos do cálculo do corte | 10 (6 anulados por recurso, 1 por erro material, 3 por correlação bisserial inadequada) | NT INEP 19/2025 |
| Itens válidos no cálculo final | 90 | NT INEP 19/2025 |
| Corte Angoff inicial (100 itens) | 58,75% | NT INEP 19/2025 |
| Corte Angoff normalizado (90 itens) | 57,87% (DP = 3,68 p.p.) | NT INEP 19/2025 |
| Estimador de transposição para TRI | TS TRI (True Score, Wyse 2017) | NT INEP 19/2025 |
| Proficiência de corte na escala TRI | θ* = -0,40 | NT INEP 19/2025 |
| Fórmula da Nota Final | NF = θ × 17,544 + 67,018 | NT INEP 42/2025 |
| Nota de corte final | 60,0 | NT INEP 19/2025 |
| Permanência do corte entre edições | Fixo, mantido nas demais edições | NT INEP 19/2025, § 9.1 |
Perguntas frequentes
A nota de corte 60,0 do ENAMED significa 60% de questões certas?
Não. 60,0 é uma Nota Final numa escala padronizada TRI, derivada do nível de proficiência θ = -0,40 pela fórmula NF = θ × 17,544 + 67,018. O percentual de acerto que embasou esse corte, calculado por especialistas no método Angoff, foi de 57,87% sobre 90 itens, um número em escala diferente da Nota Final e que não se aplica diretamente a nenhuma prova individual.
Quem decidiu que a nota de corte do ENAMED seria 60?
O corte foi definido por um painel de 18 professores de medicina, após remoção de dois outliers de um grupo inicial de 20, reunidos pela Comissão de Análise de Itens (CAI) em 7 e 8 de agosto de 2025, seguindo o método Angoff Modificado descrito na Nota Técnica INEP 19/2025. O resultado do julgamento foi posteriormente transposto para a escala TRI pelo estimador TS TRI.
O corte de 60,0 vai mudar nas próximas edições do ENAMED?
Não. O parágrafo 9.1 da Nota Técnica INEP 19/2025 determina que o ponto de corte deve ser mantido ao longo das demais edições do exame. Ele é um critério absoluto e fixo, e não uma curva relativa ao desempenho dos candidatos de cada edição específica.
Qual a diferença entre ser Proficiente no ENAMED e ter Conceito 5 no curso?
São classificações diferentes. Proficiente ou Não Proficiente é a classificação INDIVIDUAL do candidato, com apenas dois níveis, definida pela Nota Final em relação ao corte de 60,0. O Conceito de 1 a 5 é a classificação do CURSO, calculada a partir do percentual de concluintes proficientes daquele curso, conforme a Nota Técnica INEP 40/2025.
Por que o ENAMED usa o modelo Rasch e não o modelo do ENEM?
O ENAMED usa o modelo Rasch (1PL), com apenas o parâmetro de dificuldade do item, conforme a Nota Técnica INEP 42/2025, porque esse modelo facilita a comparabilidade entre edições com conjuntos de itens diferentes. O ENEM usa outro modelo, com outros parâmetros, adequado a outro tipo de exame e outra finalidade, o que torna a comparação direta entre os dois exames tecnicamente inadequada.
É possível saber quantos acertos são necessários para atingir a nota de corte?
Não existe um número fixo de acertos equivalente ao corte de 60,0, porque a Nota Final depende de quais itens específicos foram respondidos corretamente e da dificuldade estimada de cada um deles, não apenas da quantidade total de acertos. Essa é uma característica central do modelo Rasch usado pelo ENAMED, detalhada em profundidade no artigo sobre por que o percentual de acerto engana.
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